Carbono neutro é discutido na Expo Indústria Maranhão 

A indústria sustentável é possível – esta foi a conclusão do público que acompanhou as exposições no painel Carbono Neutro, alternativa para uma indústria sustentável, no espaço Plenarium, no sábado (28), na Expo Indústria Maranhão, ação realizada pelo Sistema FIEMA (FIEMA, SESI, SENAI e IEL) e a CNI. A feira seguiu até domingo (29) no Multicenter Negócios e Eventos (Cohafuma). A sustentabilidade foi ainda o foco das palestras ocorridas na Arena Sustentável, outro espaço da feira, correalizada pelo Sebrae-MA, pelo Sistema Fecomércio e pelo Governo do Estado.

O ponto alto da noite no Plenarium foi a apresentação de modelos de indústrias que tem corrido por fora na instalação de sistemas produtivos sustentáveis. Abriu a discussão a palestrante Sarita da Cunha Marques, que explicou o modo como a Suzano tem instalado florestas em todas as regiões em que trabalham. Segundo ela, a empresa tem buscado a implantação de uma produção que seja carbono neutro. “Nossos desafios daqui para frente são ofertar produtos de origem renovável, oferecer mais de 10 milhões de toneladas de produtos de origem renovável e garantir a substituição de plástico e derivados de petróleo, mitigar a distribuição de renda”, citou.

As boas práticas da Suzano têm sido consideradas uma referência na produção de uma cultura de sustentabilidade dentro do ambiente industrial. “Não entramos em floresta nativa para instalar nosso trabalho, apenas em espaço antropo-pisado. Realizamos remoção de toneladas de gases para o efeito expostos. Estamos ampliando nossas florestas e não é somente eucalipto — mas vegetação nativa também. Temos modelos de tecnologia e matemáticos para a restauração ambiental, para resgatar vegetação nativa do local em que estamos trabalhando”, explica a consultora que ainda explicou o envolvimento da empresa com o mercado de carbono e os créditos de carbono. “Estamos estudando as oportunidades para participar desse mercado e incluir o potencial brasileiro. Estamos gerando oportunidades. Não queremos fazer nada sozinho, mas nos unirmos na busca por soluções e geração de trabalho”, disse Sarita da Cunha.

Logo em seguida, subiu ao palco do Plenarium da Expo Indústria Maranhão, o representante de sustentabilidade e novos negócios, da Aço Verde Brasil (AVB), Sandro Marques Raposo. Sua palestra impressionou positivamente o público presente no local. “Fiquei assustado quando ouvi o que o palestrante tinha a dizer – não sabia que era possível se manter uma siderúrgica produtora de aço que fosse carbono neutro. Outra surpresa foi que ela fica aqui, no Maranhão, em Açailândia”, disse o estudante de engenharia mecânica Jefferson Rodrigues, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Sandro Marques Raposo explicou que o feito foi possível pelo fato de que toda a empresa ter sido projetada, desde o seu início, para ser sustentável. “A AVB é uma empresa 100% maranhense e trabalhamos aqui há mais de 30 anos. Temos muita tecnologia na área de sustentabilidade. Nossa usina nasceu de um sonho de produzir aço de forma sustentável e vendê-lo para todo território nacional e para o exterior. Hoje, somos a única siderúrgica de carbono neutro do mundo. A Aço Verde foi projetada para ser verde. Nosso aço é verde”, relatou.

O representante explicou que isso é possível porque a usina não usa combustível fóssil — e iniciou um processo de investimento muito caro. “Em nosso processo de produção de aço, não utilizamos nem gasoduto, nem óleo etc. Gastamos muito mais dinheiro que as outras siderúrgicas, mas conseguimos. Atualmente, geramos mais de 2 mil empregos. Curioso é que muita gente não consegue imaginar que em Açailândia há uma usina de aço que tenha o nosso porte. Todo Brasil é atendido pelo nosso aço”, disse.

Uma das vantagens que a usina tem, de acordo com Sandro Marques Raposa, é a localização. “Ficamos próximo do trem da Vale, o que facilita o escoamento de nosso aço para o exterior via Porto do Itaqui. A sustentabilidade faz parte lógica de nosso processo de produção do aço. A logística é muito favorável. Nosso mercado em maior parte é interno, mas já exportamos e estamos escalonando para incrementar novos clientes”, disse o representante da siderúrgica, que produz vergalhão, tarugo, tudo aço verde.

Outra palestra que ocorreu no espaço Plenarium foi a conduzida pelo economista e analista de produtividade e inovação da Unidade de Transformação Digital, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Carlos Eduardo Flores de Araújo. “Os editais são para programas e projetos voltados para a transformação digital do setor produtivo nas regiões Nordeste, Centro Oeste e Norte. Buscamos o aumento da maturidade digital do setor produtivo regional e o aumento de renda da população nessas comunidades”, explicou.

ARENA SUSTENTÁVEL – A qualificação para exportação de produtos e o caminho industrial para a sustentabilidade foi o tema das palestras que ocorreram na Arena Sustentável, dentro da Expo Indústria Maranhão. A analista de Apex-Brasil Anna Emília Arend dos Santos explicou ao público o funcionamento do PEIEX, programa de qualificação profissional para exportações. “A principal missão é internacionalização das empresas brasileiras e os investimentos estrangeiros diretos. Para isso, investimos no treinamento e na triagem de grupos que possam ser direcionados para o exterior”, informou Anna dos Santos. “A qualificação oferecida pela Apex-Brasil é um procedimento formativo que torna as empresas participantes competitivas diante do mercado internacional”, detalhou.

Outra palestra desenvolvida no espaço foi conduzida por Deborah Ferreira, gerente de relações com Comunidades da Vale e por Giselly Pinto, gerente de relações institucionais da Vale. As duas explicaram o caminho que a Vale tem buscado para o desenvolvimento sustentável. De acordo com Deborah Ferreira, a busca pelo compromisso com a indústria sustentável perpassa áreas como a relação com as comunidades, operações, saúde e segurança. “O caminho que estamos seguindo para o desenvolvimento sustentável está sendo construído com muito entusiasmo pela Vale. Nossa meta é tornar a empresa carbono neutro até 2050, o que conseguiremos reduzindo as emissões de carbono paulatinamente e passando a usar formas de energia limpa”, contou.

Alguns avanços foram citados pelas gerentes. Entre eles estão a primeira locomotiva que é 100% elétrica. “Atualmente as equipes estão verificando como elas vão trabalhar na condução e trabalho desta locomotiva, que por hora tem uma autonomia de 12 horas. É uma nova sensação da empresa. Outro trabalho realizado dentro das políticas de sustentabilidade é a operação do trem de passageiros da Vale. É uma iniciativa social da Vale que não busca lucro. Também já temos uma frota de carros elétricos que deve crescer em breve”, comentou Deborah Ferreira.

MAIS – A Expo Indústria Maranhão 2022 é uma realização do Sistema FIEMA, formado pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e Confederação Nacional da Indústria (CNI). A feira conta com o patrocínio da Aço Verde do Brasil (AVB), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Agência Espacial Brasileira (AEB), Alumar, Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), ENEVA, Prefeitura de São Luís, Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF), Suzano, VALE e VLI.